Túnel do tempo

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Gislaine  Ocasional   Postagens: 36

Está no ar um portal que leva o utilizador a um outro tempo da web. Lá está arquivada toda a rede, congelada, tal qual era em meses vários desde 1996. Navegável como se fosse hoje. E vai mudar a maneira como usamos a Internet.

Muito discretamente, entrou no ar na tarde de quinta-feira um portal que vai mudar por completo a noção que temos da Internet. É o web.archive.org, um megaprojeto bancado pelo milionário Brewster Kahle que visa armazenar o passado da web. Sua equipe de 32 funcionários se entregou à tarefa em 1996 e, desde então, de dois em dois meses dá uma volta pela rede armazenando quase tudo. O resultado é que, a sua maneira, o web.archive é maior do que toda a Internet.

A rede é por natureza inconstante. Páginas entram e saem do ar, multiplicando o conteúdo disponível ao público no mesmo compasso em que conteúdo se perde. Sites ganham novas versões conforme a tecnologia caminha, pontocoms diversas quebram e outras são lançadas. A Web gráfica ainda tinha incompletos dois anos quando Kahle decidiu que era preciso arquivá-la. Esta Web paralela, que pode ser a rede tal como era em julho de 96 ou outu! bro de 2001, é inteiramente navegável, endereço após link.

No total, são 10 bilhões de páginas congeladas como estavam, 100 therabytes em dados, o equivalente a 5 vezes o tamanho da Biblioteca do Congresso estadunidense. Todo o material está servido por 300 computadores de mesa da Hewlett-Packard modificados. A navegação já estava disponível há algum tempo para pesquisadores e agora enfrentará seu primeiro teste aberta.
ão mundo. No início, os técnicos não prometem estabilidade no sistema. Então, resolve-se.

Para quem passeia pela rede há algum tempo, a experiência é nostálgica.
Aos novos, é uma boa maneira de descobrir o quanto mudou nos últimos cinco anos. Em 1996, não havia jeito melhor de fazer uma busca do que uma visita ao Yahoo!, um portal de fundo recém mudado para branco (era cinza) e cujo menu estava estruturado numa coluna única de text! o. O Microsoft Explorer era uma piada e utilizador sério usava Netscape.

E, com o Netscape, este mesmo utilizador tinha alguns cantos parcos para a visita diária. O portal da HotWired, por exemplo, versão digital da revista "Wired", Bíblia dos novos tempos que vinham - e que foram. Se as cores berrantes e os novíssimos banners publicitários fossem incômodo, no entanto, era sempre possível visitar a "Salon", revista recém lançada que passava por.
Uma "New Yorker" de San Francisco e que, constantemente, exibia orgulhosa na primeira página a mensagem: "Estamos contratando".

A pobre Salon, hoje, luta contra a falência - o gerente de vendas contratado após o anúncio daquele abril de 97 talvez não tenha mais seu emprego. Quanto à HotWired, sobreviveu, foi vendida, e o portal que a sucedeu - Wired News - não tem um quinto do charme. Faz parte - nesse tempo, acesso à Internet em Pindorama só através de um provedor de acesso e, para quem não morava no Rio, era via interurbano.

Questões de privacidade.

"A mulher que será eleita presidente dos EUA em 2024 está no segundo grau agora, e aposto que ela tem uma página inicial", disse Kahle ao "Los Angeles Times". "Nós temos esta página inicial!" Não há dúvidas de que é importante armazenar a Web conforme vai mudando. Em algum momento futuro, muito da história! estará armazenada nestes bit e bytes, biografias várias terão como consulta não apenas as cartas, mas também as mensagens postadas na Web de seus personagens.

Um exemplo prático da importância é a tarefa à qual estão entregues seus pesquisadores neste exato momento. Procuram, nos portais governamentais estadunidenses de então, as diretrizes em meados dos anos 90 para segurança de aeroportos e controle de armas biológicas. Mas há um enorme porém - aquele que mudará de vez a maneira de lidarmos com a Internet. Nas palavras do jornalista J. D. Lassica, no "Washington Post":

Seus filhos e netos que ainda não nasceram poderão reconstruir sua vida digital - não apenas as coisas boas, mas também suas mensagens esquecidas para portais de sexo. A página que você publicou em solidariedade ao sindicato no seu primeiro emprego - muitos anos antes de alcançar a gerên! cia - pode voltar para assombrá-lo quando vier uma promoção. E quem pode prever que sua candidatura ao Senado despencaria quando seu oponente político descobrir uma página riquíssima em fotos que você criou para homenagear a estrela pornô Ashlyn Gere ainda na faculdade?

Para a Web vão não apenas os portais que colocamos no ar um dia, mas também muitas das mensagens que escrevemos por email para listas em um momento de fúria. Com a existência do arquivo, não depende apenas de pedir mais ao administrador que retire a página ou a mensagem - agora já pode estar arquivada e pública, congelada no web.archives.

A relação muda por completo. Quem lidava com a grande rede partindo do princípio de sua inconstância, como se mensagem disparada morresse no vácuo, cai na real como quem escrevia em papel e sabia que um dia seria chamado a responder pel! o dito. Com a diferença que cópias de papel não são assim tão fáceis de serem feitas quanto as de bits. Em defesa dos Archives de Kahle, lá todos dispõem-se a remover páginas pessoais quando o dono pedir. Mas quem vai lembrar de tudo o que um dia digitou e publicou?

Um passeio pelos web.archives mostra-se ainda mais fascinante que a fuga diária rede afora.

Valker Vacilão Silva  Iniciante De: Brasília - DF - Brasil  Postagens: 17

Muito interessante! Pena que, no momento, o portal está fora do ar. Ia procurar minha página de 1996.

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